
As pessoas circulam caladas, o cheiro fúnebre das rosas adorna o ambiente, as lágrimas fluem assim como as águas de um rio. O nó na garganta se torna apenas um desconforto se comparado a dor no peito e o sangrar das almas.
Horas do mais puro jorrar de lembranças, pequenos momentos que se tornam dolorosamente pessoais e únicos, onde cada palavra proferida se torna preciosa, santificada.
O vazio da perda é como uma ferida aberta que dia após dia tende a se tornar apenas uma cicatriz, a tristeza se torna saudade.
E quando você se da conta que aquela voz se calou e sua alma passou a fazer parte do infinito, a vida passa a ter outro sentido, você passa a dar valor a cada sorrir, a cada olhar...
Fecho meus olhos e vejo sua face equilibrada, tranquila. Tão clara, tão lúcida... é na "ausência" que sinto sua presença.
Serena e confiante ela parte, deixando em minha memória e em meu coração a mais nobre das lições.
O amor!
Amor pela vida, amor pela família, o amor próprio.
Os parentes, os amigos, os filhos... cada um faz sua oração. É o momento da despedida.
Mais uma vez as rosas dividem seu aroma com o forte cheiro de terra molhada.
A chuva cai para lavar nossas almas e amenizar nossa dor, enquanto a marcha fúnebre é a trilha sonora de um momento que o silêncio é a mais longa das orações.
Esse texto era algo que estava devendo a mim mesma, lidar com a perda é sempre doloroso. Mas é preciso treinar o desapego e fazer as devidas despedidas. A ti minha querida tia "Rose" que não se encontra mais nesta esfera de nossas existências.